Esfera com a bandeira: Itália

Europa · 42 cidades

Itália

A Itália é o coração desta tra­ves­sia: mais de qua­renta cidades, de Treviso, onde Scar­pelli viveu, a Roma, Firenze, Milano e Veneza. Em cada uma, uma cate­dral e um museu ajudam a contar a his­tó­ria da arte oci­den­tal, da Anti­gui­dade ao Renas­ci­mento.

Cidades visitadas

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cidades com igreja, museu ou monumento descritos nesta página

Catedral · Roma

Basilica di San Giovanni in Laterano

Poucos sabem que a cate­dral de Roma não é a Basí­lica de São Pedro, mas San Gio­vanni in Late­rano. Sobre a sua fachada lê-se, em latim, que ela é “mãe e cabeça de todas as igrejas da cidade e do mundo”. Sua origem remonta ao impe­ra­dor Cons­tan­tino, que, depois de lega­li­zar o cris­ti­a­nismo, doou ao bispo de Roma ter­re­nos e um palácio da família dos Late­rani; a basí­lica foi dedi­cada no início do século IV e é con­si­de­rada a mais antiga igreja do Oci­dente. Durante cerca de mil anos, o vizinho Palácio de Latrão foi a resi­dên­cia dos papas, até a trans­fe­rên­cia da corte papal para Avignon, no século XIV. Incên­dios, ter­re­mo­tos e saques obri­ga­ram a muitas recons­tru­ções. No século XVII, para o Jubileu de 1650, Fran­cesco Bor­ro­mini renovou o inte­rior, com grandes nichos que abrigam as está­tuas dos após­to­los, e no século XVIII Ales­san­dro Galilei dese­nhou a monu­men­tal fachada atual. Foi no Palácio de Latrão que se assi­na­ram, em 1929, os Pactos Late­ra­nen­ses, que criaram o Estado da Cidade do Vati­cano.

Museu · Roma

Musei Capitolini

Os Museus Capi­to­li­nos são con­si­de­ra­dos o museu público mais antigo do mundo. Sua his­tó­ria começa em 1471, quando o papa Sisto IV doou ao povo romano um con­junto de bronzes antigos, entre eles a célebre Loba Capi­to­lina, colo­cada no Capi­tó­lio, a colina sagrada da Roma antiga e sede do governo muni­ci­pal. A coleção cresceu com doações papais e achados arque­o­ló­gi­cos e foi aberta ao público em 1734, sob o papa Cle­mente XII. Os museus ocupam o Palazzo dei Con­ser­va­tori e o Palazzo Nuovo, que, com o Palácio Sena­to­rial, formam a Piazza del Cam­pi­do­glio, rede­se­nhada por Miche­lan­gelo no século XVI. Entre as obras mais impor­tan­tes estão a estátua eques­tre ori­gi­nal do impe­ra­dor Marco Aurélio, cuja réplica ocupa o centro da praça, o “Gálata Mori­bundo”, a “Vênus Capi­to­lina”, os frag­men­tos da estátua colos­sal de Cons­tan­tino e uma pina­co­teca com obras de Ticiano, Rubens e Cara­vag­gio, como “A Buena-dicha” e “São João Batista”. Do Tabu­la­rium, que liga os edi­fí­cios, abre-se uma das vistas mais belas sobre o Fórum Romano.

Monumento · Roma

Colosseo

O Coliseu, cujo nome antigo era Anfi­te­a­tro Flávio, é o maior anfi­te­a­tro cons­tru­ído pelo Império Romano e um dos sím­bo­los mais reco­nhe­cí­veis da his­tó­ria da huma­ni­dade. Sua cons­tru­ção foi ini­ci­ada pelo impe­ra­dor Ves­pa­si­ano por volta do ano 70 d.C., no local de um lago arti­fi­cial que per­ten­cera ao palácio de Nero, e inau­gu­rada por seu filho Tito no ano 80, com jogos que, segundo as fontes antigas, duraram cem dias. Domi­ci­ano com­ple­tou a obra. Estima-se que o anfi­te­a­tro pudesse acolher mais de cin­quenta mil espec­ta­do­res, dis­tri­bu­í­dos segundo a posição social. Ali se rea­li­za­vam com­ba­tes de gla­di­a­do­res, caçadas de animais sel­va­gens e espe­tá­cu­los públi­cos; sob a arena, o hipogeu abri­gava cor­re­do­res, jaulas e ele­va­do­res que levavam homens e feras ao centro do espe­tá­culo. Com o fim do Império, o Coliseu foi dani­fi­cado por ter­re­mo­tos e usado durante séculos como fonte de pedra para outras cons­tru­ções. Hoje é monu­mento arque­o­ló­gico, Patri­mô­nio Mundial como parte do centro his­tó­rico de Roma, e cenário da Via Sacra pre­si­dida pelo papa na Sexta-feira Santa.

Catedral · Firenze

Santa Maria del Fiore

A Cate­dral de Santa Maria del Fiore, o Duomo de Flo­rença, começou a ser cons­tru­ída em 1296, segundo projeto de Arnolfo di Cambio, no lugar da antiga igreja de Santa Repa­rata, para dar à cidade um templo à altura de sua riqueza e de seu pres­tí­gio. A obra atra­ves­sou mais de um século e deixou um desafio sem solução apa­rente: como cobrir o enorme espaço do cru­zeiro. Em 1420, Filippo Bru­nel­les­chi iniciou a cons­tru­ção da cúpula, empre­gando uma dupla calota e um enge­nhoso apa­re­lho de tijolos em espinha de peixe que dis­pen­sou os andai­mes tra­di­ci­o­nais. Con­clu­ída em 1436, quando a cate­dral foi con­sa­grada pelo papa Eugênio IV, a cúpula con­ti­nua a ser a maior já cons­tru­ída em alve­na­ria e tornou-se um marco do Renas­ci­mento. Ao lado ergue-se o cam­pa­ná­rio pro­je­tado por Giotto, e em frente, o Batis­té­rio de São João, com as portas de bronze de Lorenzo Ghi­berti. O inte­rior da cúpula recebeu o grande afresco do Juízo Final, de Giorgio Vasari e Fede­rico Zuccari. A fachada de mármore colo­rido só foi con­clu­ída no século XIX.

Museu · Firenze

Galleria degli Uffizi

O edi­fí­cio dos Uffizi foi cons­tru­ído a partir de 1560 por Giorgio Vasari, a pedido de Cosimo I de’ Medici, para abrigar os escri­tó­rios, os “uffizi”, das magis­tra­tu­ras e dos órgãos admi­nis­tra­ti­vos de Flo­rença. Os Medici logo des­ti­na­ram o último andar à expo­si­ção de suas cole­ções de arte e anti­gui­da­des. Em 1737, Anna Maria Luisa de’ Medici, última her­deira da família, assinou o chamado Pacto de Família, pelo qual as cole­ções jamais pode­riam sair de Flo­rença e deve­riam per­ma­ne­cer aces­sí­veis ao público. A galeria foi aberta ofi­ci­al­mente aos visi­tan­tes no século XVIII e é hoje um dos museus mais impor­tan­tes do mundo. Suas salas guardam obras-primas como “O Nas­ci­mento de Vênus” e “A Pri­ma­vera”, de Bot­ti­celli, a “Anun­ci­a­ção”, de Leo­nardo da Vinci, o “Tondo Doni”, de Miche­lan­gelo, a “Vênus de Urbino”, de Ticiano, e a “Medusa”, de Cara­vag­gio. O Cor­re­dor Vasa­ri­ano, pas­sa­gem elevada cons­tru­ída em 1565, liga os Uffizi ao Palazzo Pitti, atra­ves­sando o rio Arno sobre a Ponte Vecchio. Em 1993, um aten­tado a bomba atingiu o museu e causou vítimas.

Catedral · Milano

Duomo di Milano

A cons­tru­ção do Duomo de Milão começou em 1386, por vontade do arce­bispo Antonio da Saluzzo e com o apoio deci­sivo do senhor da cidade, Gian Gale­azzo Vis­conti, que pôs à dis­po­si­ção o mármore rosado das pedrei­ras de Can­do­glia, trans­por­tado pelos canais até o can­teiro de obras. Para admi­nis­trar a obra criou-se a Vene­randa Fab­brica del Duomo, ins­ti­tui­ção que existe até hoje e cuida da manu­ten­ção da cate­dral. Os tra­ba­lhos esten­de­ram-se por quase seis séculos, com a par­ti­ci­pa­ção de arqui­te­tos e mestres ita­li­a­nos, fran­ce­ses e alemães, o que explica o caráter sin­gu­lar de seu gótico. A fachada só foi con­clu­ída no início do século XIX, por ordem de Napo­leão, que ali foi coroado rei da Itália em 1805, e as últimas portas de bronze foram colo­ca­das no século XX. O Duomo é uma das maiores igrejas do mundo, com cerca de 135 piná­cu­los e milha­res de está­tuas. No ponto mais alto, a Madon­nina dourada, colo­cada em 1774, tornou-se símbolo da cidade. Os ter­ra­ços per­mi­tem cami­nhar entre as agulhas de mármore e con­tem­plar Milão e, em dias claros, os Alpes.

Museu · Milano

Pinacoteca di Brera

A Pina­co­teca de Brera ocupa o Palazzo di Brera, antigo colégio jesuíta recons­tru­ído no século XVII, que se tornou, sob a impe­ra­triz Maria Teresa da Áustria, sede de ins­ti­tui­ções cul­tu­rais como a Aca­de­mia de Belas-Artes, fundada em 1776, o obser­va­tó­rio astro­nô­mico e a bibli­o­teca. A pina­co­teca foi aberta em 1809, durante o domínio napo­le­ô­nico, para expor obras reu­ni­das de igrejas e con­ven­tos supri­mi­dos em várias regiões do norte da Itália, o que lhe deu um caráter de grande museu naci­o­nal. Seu acervo con­cen­tra-se na pintura ita­li­ana do século XIV ao XIX, com espe­cial riqueza nas escolas vene­zi­ana e lom­barda. Entre as obras-primas estão o “Cristo Morto”, de Andrea Man­tegna, com seu famoso escorço, o “Casa­mento da Virgem”, de Rafael, a “Pala de Mon­te­fel­tro”, de Piero della Fran­cesca, a “Ceia em Emaús”, de Cara­vag­gio, e “O Beijo”, de Fran­cesco Hayez, um ícone do Roman­tismo ita­li­ano. No pátio de honra, uma estátua de Napo­leão em bronze, de Antonio Canova, recorda o fun­da­dor da pina­co­teca.

Basílica · Veneza

Basilica di San Marco

A Basí­lica de São Marcos nasceu para guardar as relí­quias do evan­ge­lista Marcos, tra­zi­das de Ale­xan­dria do Egito por mer­ca­do­res vene­zi­a­nos em 828. O edi­fí­cio atual, cons­tru­ído na segunda metade do século XI sobre igrejas ante­ri­o­res, segue o modelo das igrejas bizan­ti­nas de Cons­tan­ti­no­pla, com planta em cruz grega e cinco cúpulas. Durante séculos foi a capela do doge, ligada ao Palácio Ducal, e só se tornou cate­dral de Veneza em 1807. Seu inte­rior é reves­tido por cerca de oito mil metros qua­dra­dos de mosai­cos de fundo dourado, rea­li­za­dos ao longo de vários séculos, que narram epi­só­dios bíbli­cos e a his­tó­ria das relí­quias do santo; por isso foi chamada de “igreja de ouro”. Atrás do altar-mor está a Pala d’Oro, retá­bulo de ouro e esmal­tes cra­ve­jado de pedras pre­ci­o­sas. Na fachada estão répli­cas dos quatro cavalos de bronze tra­zi­dos de Cons­tan­ti­no­pla após o saque de 1204; os ori­gi­nais são pre­ser­va­dos no museu da basí­lica. A Praça de São Marcos, diante dela, é o grande salão a céu aberto de Veneza.

Museu · Veneza

Gallerie dell’Accademia

As Gal­le­rie dell’Acca­de­mia de Veneza guardam a mais impor­tante coleção de pintura vene­zi­ana do mundo. Sua origem está na Aca­de­mia de Belas-Artes, fundada no século XVIII, e na decisão do governo napo­le­ô­nico, em 1807, de reunir no antigo com­plexo da Scuola Grande di Santa Maria della Carità, do con­vento e da igreja homô­ni­mos, as obras pro­ve­ni­en­tes de igrejas e con­ven­tos supri­mi­dos. O edi­fí­cio fica junto à ponte da Acca­de­mia, sobre o Grande Canal. O per­curso atra­vessa do século XIV ao XVIII, dos fundos dou­ra­dos dos pri­mi­ti­vos à luz e à cor que tor­na­ram célebre a escola vene­zi­ana. Estão ali obras de Gio­vanni Bellini, os ciclos nar­ra­ti­vos de Vittore Car­pac­cio, como a “Lenda de Santa Úrsula”, a enig­má­tica “Tem­pes­tade”, de Gior­gi­one, obras de Ticiano, entre elas sua última “Pietà”, e telas monu­men­tais de Tin­to­retto e de Paolo Vero­nese, cuja “Ceia em Casa de Levi” teve o título mudado após ques­ti­o­na­men­tos da Inqui­si­ção. O museu possui também o desenho do “Homem Vitru­vi­ano”, de Leo­nardo da Vinci, exibido apenas em oca­si­ões espe­ci­ais por razões de con­ser­va­ção.

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